quarta-feira, 23 de março de 2011

"A classe C está virando maioria absoluta" FOLHA DE SÃO PAULO, 23 de MARÇO

Quase metade da população não se informa sobre crédito

Pesquisa também aponta que só 26% das pessoas comparam taxas de juros

Levantamento mostra ainda que a classe C ampliou participação, em 2010, para 53% da população brasileira

MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO

Embora o crédito esteja batendo recordes no país, quase metade da população não se informa sobre empréstimos. No ano passado, 45% dos brasileiros disseram que nunca buscaram informações sobre financiamentos.
O percentual é ainda maior entre os brasileiros das classes DE, em 54%. No segmento C fica em 44% e no AB cai para 35%, de acordo com estudo da Cetelem BGN, empresa do grupo francês BNP Paribas, em conjunto com a Ipsos Public Affairs.
Segundo a pesquisa "Observador Brasil 2011", 41% dos brasileiros buscaram informações sobre juros.
"O brasileiro não tem a cultura de pesquisar e isso precisa mudar com campanhas de educação financeira. Nas compras financiadas, apenas 26% afirmaram comparar diferentes taxas de juros na hora de comprar", diz Marcos Etchegoyen, diretor-presidente da Cetelem BGN.
No ano passado, as operações de crédito para consumidores e empresas cresceram 20,5% e o total de empréstimos chegou ao valor recorde de R$ 1,7 trilhão, segundo o Banco Central.

CLASSE C
A pesquisa mostra ainda que a classe C conseguiu ampliar sua participação, em 2010, para 53% da população brasileira, ante 49% no ano anterior, chegando a 101,6 milhões de pessoas no país. Foram 19 milhões de brasileiros vindos das classes DE, que ficou com 25% do total. Já os segmentos AB somaram 42,2 milhões.
"Houve uma mudança na forma que a população brasileira está distribuída. A pirâmide virou um losango, com mais pessoas fazendo parte da classe C", afirma Etchegoyen. Segundo ele, esse novo desenho vem se formando há cerca de quatro anos e está cada vez mais consolidado.
O levantamento se baseou em 1.500 entrevistas, feitas em dezembro em 70 cidades de nove regiões metropolitanas. A classificação por classe foi definida pelo Critério de Classificação Econômica Brasil, que verifica o grau de instrução do chefe de família, as características do domicílio e a posse de bens.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Zangief Kid diz que pensou em suicído por sofrer de bullying

O caso do menino que ficou conhecido como "Zangief Kid" referência ao lutador do game Street Figther podemos assim, ver a influência dos jogos no consumo das crianças. E esse vídeo segundo a reportagem da Uol tem 148 mil fãs de apoio ao menino em páginas do facebook. Em resumo eu me pergunto, se não é hora dos profissionais de marketing, junto com psicólogos rever os conceitos sobre o poder e a influência games como estes, regular de alguma forma em prol da complacência que queremos a nossa sociedade contemporãnea.


terça-feira, 15 de março de 2011

Os objetivos continuam sendo sociais, "O novo marco regulatório do Brasil"

O desafio do novo marco regulatório brasileiro

Por Jonas Valente em 15/3/2011

Reproduzido do Mídia&Política, edição 02/2011

Pela primeira vez na história, o Ministério das Comunicações foi ocupado pelo representante de um partido de esquerda. Mesmo nos oito anos de governo Lula, o comando da pasta ficou a cargo de nomes indicados por legendas da base aliada, alguns deles com íntima relação histórica com os grupos nacionais de radiodifusão, como foi o caso de Hélio Costa. A chegada de Paulo Bernardo, com a experiência de já ter sido titular da pasta do Planejamento, vem sendo cercada de expectativas.

A principal delas é o encaminhamento da reforma da legislação da área. A aprovação de um novo marco regulatório é demanda antiga de especialistas, sindicalistas e de várias entidades que lutam pela democratização da comunicação. No último ano do governo Lula, sua importância foi percebida. No entanto, o tempo foi suficiente apenas para que um grupo comandado pela Secretaria de Comunicação do governo, com o então ministro Franklin Martins à frente, elaborasse uma proposta como legado à nova gestão do Executivo federal.

Parte do projeto já veio à tona por meio da imprensa especializada. Fala-se em uma reorganização institucional cujo marco central seria a transformação da Agência Nacional de Cinema em Agência Nacional de Comunicação. Ela teria atribuições de fiscalização dos conteúdos e das outorgas dadas aos entes privados que exploram serviços como rádio e televisão. Ainda na parte de conteúdos, seriam definidas regras para garantir a presença de produção nacional, regional e independente nos veículos. Bem como medidas para proteger segmentos vulneráveis, como crianças.

Excessivamente comercial

A proposta, de acordo com notícias divulgadas, adotaria uma arquitetura convergente, tratando serviços de forma transversal às plataformas. Isso significa que em vez de televisão, rádio e TV a cabo, teríamos três modalidades de serviços: de comunicação social, de comunicação eletrônica e de comunicação em rede. No caso daqueles audiovisuais, haveria uma divisão em lineares (programação de TV aberta, por exemplo) e não-lineares (vídeos não organizados em programações), abertos ou fechados. Em relação à propriedade, seria mantido o limite de 30% ao capital estrangeiro e haveria uma divisão entre as fases da cadeia: produção, programação e distribuição.

O debate sobre o novo marco regulatório não pode ficar circunscrito aos gabinetes do governo federal, aos bancos acadêmicos ou às rodas de especialistas e pesquisadores. É preciso que sua carcaça hermética seja despida, de modo a colocá-lo sob a perspectiva essencial que possui. Que tipo de comunicação queremos no Brasil? A resposta enseja um raciocínio que identifique o que não atende aos interesses da população e o que deve ser mudado. Elencamos aqui cinco nós críticos que precisam ser resolvidos nesse processo.

O primeiro é o caráter excessivamente comercial da nossa comunicação. No caso da televisão, por exemplo, as corporações controlam 80% das emissoras, 90% do financiamento e 95% da audiência. Enquanto isso, os meios públicos e comunitários lutam para sobreviver. No primeiro caso, a Empresa Brasil de Comunicação avançou, mas ainda está longe de se consolidar como alternativa real junto à população. No segundo caso, as rádios comunitárias continuam sendo perseguidas e as TVs comunitárias permanecem relegadas à prisão da TV a cabo. O novo marco precisa, portanto, retirar essas modalidades da condição marginal, abrindo espaço no espectro para as emissoras, permitindo fontes de financiamento sustentáveis, ampliando radicalmente a participação e estabelecendo contornos de uma programação feita para, com e pelo público.

Cara, lenta e de má qualidade

O segundo é o caráter concentrado e verticalizado da mídia brasileira. O modelo constituído no país, baseado em poucos grupos estruturados em cabeças-de-rede e afiliadas, faz com que de Uruguaiana (RS) a Coari (AM) se veja e se ouça a perspectiva do eixo Rio-São Paulo. Sabe-se mais sobre o Leblon e a Vila Madalena do que sobre o Nordeste e o Norte do país. Pesquisa do Observatório do Direito à Comunicação em 11 capitais mostrou que as afiliadas exibem apenas 10% de conteúdos próprios. Assim, outro desafio do marco é quebrar essa estrutura de oligopólio vertical, ampliando o número de fontes de informação e determinando limites para garantir a exibição de conteúdos realizados nas cidades das emissoras.

O terceiro, que deriva do anterior, é o cenário de faroeste no sistema de outorgas dos serviços de comunicações. Na radiodifusão, temos quase uma terra sem lei, em que os exploradores desrespeitam a Constituição e a lei sem qualquer represália. A posse de emissoras por políticos, a exibição de publicidade além do limite de 25% e a veiculação de conteúdos discriminatórios são apenas alguns dos exemplos. Além disso, o poder público peca pela falta de transparência e se ausenta quase que integralmente da responsabilidade de fiscalizar essas concessões. Por esses motivos, o novo marco deve tratar com atenção o sistema de autorizações, definindo critérios que atendam os interesses dos cidadãos e fiscalizando frequentemente o seu cumprimento de forma transparente.

O quarto nó crítico é a exclusão no acesso aos serviços de comunicação, em especial ao de telecomunicações. Na telefonia móvel, cobramos tarifas das mais altas do mundo. Não por isso, temos mais de 190 milhões de aparelhos – porém, mais de 80% são pré-pagos e com baixo consumo na ligação. Na fixa, vivemos com uma taxa injustificável: a assinatura básica. A TV por assinatura chega a nove milhões de lares apenas. Nossa internet é, segundo o próprio governo federal, cara, lenta e de má qualidade. Embora políticas de acesso não sejam exclusividade de normas, elas podem, sim, determinar a oferta aos cidadãos e as modalidades de serviço. Entre elas, por exemplo, definir que a internet em banda larga seja prestada em regime público, tendo, portanto, obrigações de universalização e controle tarifário.

Questão de mérito e de método

O quinto obstáculo que precisa ser resolvido é a impermeabilidade dos órgãos do poder público à população. Enquanto o Ministério das Comunicações sempre foi a casa dos radiodifusores e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mantém abertura às telefônicas e outras operadoras, sindicatos e ativistas sempre sofreram para conseguir interlocução. Até a Conferência Nacional de Comunicação – evento proposto apenas para debate de idéias – acabou seriamente ameaçada pela resistência do setor empresarial em abrir a discussão sobre a área.

O novo marco regulatório deve dar conta de uma extensa demanda democrática do século 20, a de passar basicamente por desconcentrar o setor, ampliar a pluralidade e diversidade, fortalecer mídias públicas e comunitárias e colocar os órgãos públicos a serviço dos cidadãos. Mas precisa conjugar tais soluções com os desafios da convergência de mídias, que unifica serviços em plataformas e terminais e pressiona o setor para mais liberalização e mais concentração, a despeito da aparente aura de ampliação das fontes informativas.

Tal cenário, repetimos, não deve colocar a primazia da técnica. Os objetivos sociais não mudam, mas assumem novas formas. Partindo dessa reflexão, argumentamos que o novo marco precisa tomar como princípio a comunicação como direito humano e a democracia como cerne transversal. A construção da arquitetura deve, destarte, basear-se na definição dos serviços, entendidos como as atividades relacionadas à comunicação que impactam e servem aos cidadãos. Esses serviços têm de ser observados tanto da qualidade da prestação, o que envolve medidas anti-concentração e de garantia de padrões, quanto dos impactos que se pretende provocar.

A primazia do interesse da população sobre a técnica deve ser questão de mérito, e também de método. Por esta razão, esse novo marco precisa ser submetido a amplo debate, assim como ocorreu na Argentina. Como é conhecida a atuação dos setores empresariais no Congresso, para que a(s) nova(s) lei(s) não seja(m) apenas um arranjo para distribuir o lucro do setor, ela precisa ser fruto de uma reflexão coletiva e no seio da sociedade. Talvez assim seja possível atacar de frente os nós críticos que impedem nossa comunicação de alcançar sua plenitude democrática.

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Crianças com autismo se relacionam melhor quando brincam com robôs" / FOLHA DE SÃO PAULO, 09 DE MARÇO DE 2011

Robô ajuda crianças inglesas com autismo a identificar emoções

Alastair Grant/AP

Eden Sawczenko, 4, que tem autismo, reage ao robô Kaspar,em escola ao norte de Londres

DA ASSOCIATED PRESS

Eden Sawczenko se retraía quando outras meninas seguravam sua mão e ficava imóvel quando a abraçavam.
Neste ano, Eden, de quatro anos, que sofre de autismo, começou a brincar com um robô que ensina sobre emoções e contato físico.
"Ela está mais afetuosa com seus amigos e, agora, até toma a iniciativa de abraçar", afirma Claire Sawczenko, mãe da menina.
Eden frequenta uma pré-escola para crianças autistas em Stevenage, ao norte de Londres, onde pesquisadores levam um robô com feições humanas do tamanho de uma criança uma vez por semana para uma sessão supervisionada.
As crianças, cujos níveis de autismo variam de leve a severo, brincam com o robô por dez minutos, enquanto um cientista controla o aparelho por controle remoto.
O robô, chamado Kaspar, é programado para sorrir, franzir, rir, piscar e balançar os braços. Foi construído por cientistas da Universidade de Hertfordshire a um custo de 1.300 libras (R$ 3.475).
Kaspar ainda está em fase experimental, e os pesquisadores esperam que ele possa ser produzido em massa por um preço menor.

INTERAÇÃO
O robô faz poucos truques, como dizer: "Olá, meu nome é Kaspar. Vamos brincar". Ele ri quando encostam em suas laterais ou nos seus pés, levanta os braços e, se leva um tapa, põe as mãos no rosto e grita: "Ai, isso dói".
"Crianças com autismo não reagem bem às pessoas porque elas não entendem as expressões faciais", diz Ben Robis, pesquisador de ciências da computação na Universidade de Hertfordshire e especialista em autismo.
"Robôs são mais seguros para elas porque há menos a interpretar, eles são bem previsíveis", afirma.
Há projetos similares no Canadá, no Japão e nos EUA, mas a pesquisa inglesa é uma das mais avançadas. Até agora, cerca de 300 crianças com autismo já brincaram com Kaspar naquele país.
Especialistas sem ligação com o projeto afirmam que a ideia é promissora.
Para Abigael San, representante da Sociedade Britânica de Psicologia, é possível que as crianças transfiram o que aprenderam com o robô para suas casas.
Mas ela alerta que especialistas e pais não podem depender tanto assim de robôs.
"Não queremos que crianças com autismo fiquem muito acostumadas aos robôs. Elas precisam aprender a se relacionar com pessoas."
Kerstin Dautenhahn, pesquisadora da Universidade de Hertfordshire e responsável pelo projeto, diz que o robô também pode ser usado para crianças com síndrome de Down e outros problemas.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Crianças do Consumo a infância roubada / Susan Linn

Acabei de ler o livro que vêem de encontro aos meus princípios sobre o consumo das crianças. Autora muito prestigiada pelo meio acadêmico Susan Linn, na minha opnião é mais que uma escritora e professora na sua área de psicologia na produção desse livro "criança do consumo a infância roubada". Se me permitem dizer, sua posição referente aos grandes anunciantes, como cita McDonald's,Disney e Pokemon por exemplo, todos eles com um faturamento anual que chega a comparar com o Pib de alguns países do nosso planeta, demonstra que as empresas não se preocupam com as transformações sociais que nós estamos vivemos, pois obesidade um perigo que só está aumentando com os surgimento das grandes redes de "fast food" deveria é estarem interessados se isto é certo, se queremos uma sociedade consciente, se estamos de fato tendo complascência com o nosso futuro. Sendo assim, ao ler seu livro percebi que o consumo das crianças é um assunto mais importante do que eu pensava, pois, deparei que ele não engloba somente os consumidores e as agências de publicidades que são os grandes interventores dessa problemática. Mas a função dos pais de saberem dosar o tempo que seus filhos estão trancados em casa vendo TV, jogando videogames torna-se uma responsabilidade de saúde de que precisamos estar atento na formação de cidadãos que nossas crianças deveriam ser, pessoas que tenham amor ao lugar que vive, que saibam seus direitos, que controla seus impulsos perante as situações da vida e do mercado no campo econômico. Vemos também que isso possa ser dever dos políticos de adotarem leis que já existem em países desenvolvidos como Noruega,Suécia e Canadá de não deixar que crianças menos de 10 anos sejam massivamente recebidas por mensagens de apelo ao consumo e o que é pior, dessa magnitude da qual o capitalismo se proliferou, o conceito enraizado nas pessoas do mercantilismo,comodismo,futilidades entre outras. Estamos numa era de constante invenção, principalmente das tecnologias, porém acho que sí queremos realmente uma construção social digna de respeito, não estamos caminhando no mesmo caminho, devemos sim nos unir ao governo, empresas privadas e discutir se essa forma descontrolada da mídia é o melhor caminho a percorrer tendo em vista, do que estão por traz crianças inoscentes que acabam se confundindo nessa mistura de realidade e fantasia que as propagandas,filmes,videogames colocando esses valores em suas mentes que contrastam com os ideais da vida.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A inocência das crianças e o cinismo da mídia / Fonte: www.uol.com.br

Compre bastante, coma muito. Mas seja magro
LEONARDO SAKAMOTO

Cravado no aeroporto involuntariamente à espera de um avião e cansado o suficiente para não pegar em trabalho, fui checar o e-mail pessoal e descobri que meu filtro de spam estava – raios! – desligado. Em poucas horas sem cuidar da caixa postal, esse nosso Tamagochi virtual, as mensagens se abundavam às centenas – talvez como vingança pela repressão a que foram subjugados por tanto tempo.

Desta vez, ao invés de apagar, resolvi ler as mensagens. (Por precaução, quem receber uma mensagem minha nos próximos dias, verifique a existência de vírus. Grato.)

A categoria mais presente nessa festa do Inbox é a do emagrecimento rápido, mostrando que esse mundo de tecnologia é mais esperto do que pensava, pois sabe até do meu IMC. “Perdi 19kg em 28 dias seguindo uma dica de Gisele”ou “Perdi 15kg e 30 dias seguindo uma dica de Ivete” – levando a crer que a tal de Gisele é mais competente, mais ansiosa, mas menos saudável que a tal da Ivete. “Emagreça dormindo” – clássico. “Quer ser feliz na vida pessoal, emagreça” – chantagista. “Esqueça as dietas. Emagreça com o shake X” – uma vida de pozinho e água deve ser boa pra diabo. “Para que sofrer emagrecendo? A cinta Y reduz três números em instantes” – esse aí entregou os pontos.

Um dia ainda compro toda essa bugiganga que me oferecem e fico saradão. Até lá, vou remoendo a minha certeza de que a gente come mal, bebe mal e vive muito, mas muito mal. Mesmo com todo o conhecimento disponível em uma sociedade de informação, seguimos fazendo besteira com o corpo. Até porque somos constantemente programados para isso.

Vamos aos fatos: em 2010, a Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE apontou que 50,1% dos homens e 48% das mulheres estão com excesso de peso (na década de 70, o índice era de 18,5% e 28,7%, respectivamente). Enquanto isso, 12,5% dos homens e 16,9% das mulheres são obesos. Brasil, um país de gordos.

Além das veias entupidas de colesterol, isso é um indicador da inexorável marcha da humanidade para o buraco ou, melhor dizendo, para a geladeira, considerando que há tempos não consumimos apenas o que é necessário. Tudo bem que a definição do que seja “necessário” pode ser bastante subjetiva, ainda mais que tornamos o excesso parte do dia-a-dia. É como não saber mais o que é real e o que é fantasia ou, pior, não ter idéia de como escolher entre o caminho irreal da felicidade e a via dura da abstinência. Na dúvida entre a “pílula vermelha” e a “pílula azul” engolimos as duas e depois vemos o que acontece no estômago da Matrix.

Nossa qualidade de vida aumentou ao termos menos tempo para fazer nossas refeições e, consequentemente, optarmos por nos entupir de produtos menos saudáveis, mas mais rápidos? A entrada de classes mais pobres no consumo através de uma avalanche de carboidratos industrializados alardeados como status social na TV deve ser comemorada? O biscoito recheado é o novo Santo Graal do Brasil contemporâneo?

Tudo é muito rápido. Estamos com o diabo na rua, no meio do redemunho, como diria o velho Guimarães Rosa. Feito uma amiga que foi de 62 kg para 95 kg e depois para 52 kg – e caindo. O importante é não parar nunca, estar em estado de constante metamorfose, em movimento. Reflexão? Para que? A enxurrada de e-mail na caixa postal, a atriz bonitona na propaganda de TV, o apresentador simpático daquele programa da madrugada, todo mundo diz que não precisa. Vai, emagrace agora! E depois de perder peso de forma não-saudável e o efeito sanfona vier com tudo, é só comprar outro produto de nossa corporação: o antidepressivo.

Afinal de contas, a nossa sociedade de consumo e sua máquina de empacotar soluções ineficazes para frustrações empurra de um lado para o tamanho XXG (noves fora a máquina de propaganda que defende o santo direito à liberdade de expressão de poder convencer a criançada a comprar produtos que engordam). Simultaneamente, do outro lado, parte da mídia e da indústria da moda diz que só pode ser feliz quem cabe em um manequim 34. No máximo. E dá-lhe modelo desfilando com cara de quem comeu meia folha de alface e o bando de menininhas e menininhos suspirando para ter um corpo igual a esses palitinhos. Esquizofrênica a situação? Imagina. Tudo faz sentido. Para o bolso de alguns.

O que podemos fazer? Pensar na saúde? No próprio organismo, sabendo que ele tem suas características próprias? Lutar por informação de qualidade ao consumidor e pelo fim da venda de um modelo irreal de consumo e de beleza? Ih, japonês, você não conhece o mundo mesmo, né? Ainda bem que não, porque meu avião já está saindo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dependência do Facebook preocupa mais do que sexo e cigarro / www.olhardigital.uol.com.br

Pesquisa aponta que a facilidade de acesso às redes sociais está criando um problema para muitos internautas
03 de Fevereiro de 2011 | 18:18h



Um levantamento realizado pela Internet Time Machine, empresa que busca tendências na web, mostrou que a dependência do Facebook é um dos assuntos mais procurados na internet, ficando acima das pesquisas sobre vício de sexo ou de cigarro.

De acordo com a empresa, a dependência de mídias sociais, especialmente do Facebook, está no topo do ranking de vícios digitais. Não à toa, um número crescente de pessoas procura formas de buscar ajuda.

“O aumento dos meios de comunicação e a necessidade de estar em contato com atualizações de status ou tweets, criou um problema para pessoas com personalidades aditivas”, divulgou a empresa no relatório. Além disso, o levantamento indica que a facilidade das pessoas acessarem as redes sociais em dispositivos móveis, tablets e, agora, até em televisão, alimentam ainda mais esse vício.

O estudo também revelou que no topo da lista de dependências, o maior vício ainda é o alcoolismo. As dependências de drogas como heroína e cocaína também se mantêm entre os primeiros lugares. Já o Facebook ficou no 16° do ranking, acima de outros inúmeros tipos de vícios. Para se ter ideia, as pessoas procuraram a frase “Dependência de Facebook” 121.8 milhões de vezes nos últimos dias.